segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Natal

“Filho, serás feliz!” Era a voz de Maria
que, entre beijos e lágrimas, dizia,
ao ver seu grande filho que nascia
de olhos azuis e cabecinha loura.
Foi no palácio de uma estrebaria
no berço de ouro de uma manjedoura.
Lá fora, em céu tranqüilo, uma estrela luzia.
A areia do areal machucada rangia:
eram os passos dos camelos, eram
três vultos numa sombra que crescia...
E os Reis Magos trouxeram
para o Senhor do Mundo que dormia
Ouro, Incenso e Mirra.
Aleluia! Aleluia! Alegria! Alegria!
Um era preto como a noite;
outro moreno como a tarde;
outro era claro como o dia.
Ajoelharam-se trêmulos de espanto
diante da estrela humana que nascia.
Mas, no silêncio em torno só se ouvia:
“Filho, serás feliz!” – sempre a voz de Maria,
martirizada, cadenciada.
Era mãe e previa
no seu saber profundo,
como ia ser rude a jornada
e como sofreria
seu pequenino Deus – Senhor do Mundo.
(Poema de Olegário Mariano – em Toda uma vida de poesia)

Encontrei este poema nas saudosas relíquias de minha infância: uma Prova de Português da 6ª Série. Ah, minha nota foi 50, abaixo da média 70. Interpretação ruim... eu nada entendia de poesia. Mas, já estou aprendendo...
Nélsinês

domingo, 26 de dezembro de 2010

Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai-Noel...

Acho que "Papi Nonhél"
confundiu as meias
as minhas, vazias, feias.
As dos políticos,
gordas, cheias!
61% ... Blergh!!!
Isso é escárnio com a nação!
Mas, o povo gosta... e vota
e se vende por quaiquer promessa
desde que se faça festa!
êita, Brasil!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Natal

Que a luz divina nos penetre as mentes e corações neste Natal e em todos os dias para que possamos fazer de nossa vida um iluminar caminhos.
                             Nélsinês

domingo, 5 de dezembro de 2010

PAMPA E SONHO

Poema premiado com troféu no III Concurso da FECI – Internacional

Na colina o sol poente
abençoa a peonada
reunida na invernada
em volta do braseiro
cevando o amargo na humildade
cachimbo da paz e amizade
do gaúcho hospitaleiro
e da prenda sorridente.

Cheiro de campo em flor
na aurora de cada dia
vai-se o tempo de tosquia
troteia o pingo no rodeio
e a gaita ensaia vaneira
em homenagem caborteira
ao Negrinho do Pastoreio
destas terras, o senhor.

De mártires e heróis, chão sagrado
no rancho do velho pampeano
um candeeiro e saudade tanta
um cusco manso que se espanta
e assobia manhoso o minuano.
Quem dera voltassem agora
risos trigueiros, valores de outrora
vivendo o gaúcho, altivo e soberano
sua vida sem assombros nem enfado.
Nélsinês

domingo, 31 de outubro de 2010

domingo, 24 de outubro de 2010

domingo, 17 de outubro de 2010

Mágica Especial - Conto e concurso

Conto infanto-juvenil + Concurso de Ilustração (para todas as idades):
(Tecnicópias Gráfica Editora, 2010; 32 p.) Lançado na 26ª Feira de Canoas.      Ver: http://www.tcarte.com.br/magica/index.html
SINOPSE: A história de um menino que deseja ser mágico e fazer a mágica de encontrar seu pai. Será que ele consegue?
Leia para saber, participe do concurso de ilustração e apareça na reedição da história ilustrada. Prazo de inscrição prorrogado até 20/10/2010.

CECÍLIA E AMIGOS

Gênero: infantil – com 23 ilustrações para colorir
(Tecnicópias Gráfica Editora; 2008; 32 pág.)
SINOPSE: Conto em forma de versos livres narra a história de uma menina que possuía um gato e ao encontrar uma cadelinha quis adotá-la. O gato apavorado causa alguns atropelos, mas ao final deu tudo certo. E a família da menina acabou “adotando” também o casal de idosos, donos da cadelinha.
O livro estimula o conhecimento e carinho por animais de estimação, como também a valorização das pessoas idosas. Além disso, possui atividades “didáticas” (como a árvore genealógica e outras) visando fomentar as boas relações familiares; além da interação de colorir os desenhos. A linguagem da narrativa é simples e cadenciada, boa para contação e leitura oral.

Zé Toquin

Gênero: Infantil – com 23 ilustrações para colorir
 (Tecnicópias Gráfica Editora 2007; 28 pág.)  (restam apenas 15 exemplares)
Zé Toquin é um conto em forma de versos com  ilustrações para colorir. Premiado em 1º lugar no Concurso de Histórias Infantis – SMEC/Canoas - 1991.
SINOPSE: A história retrata um menino que se ressentia com os apelidos com que o chamavam, até que fatos inusitados o fazem reinterpretar as denominações recebidas. Refletindo, compreendeu que a paz nasce de um coração desarmado e que nem sempre as coisas são ruins como parecem. Dessa forma, a obra busca incentivar um olhar positivo acerca dos fatos e pessoas que fazem parte de nossas vidas. Inclui uma música sobre Paz, no final.  

Romance Clube dos Combalidos

Destaque no III Concurso de romances da ALPAS XXI – Cruz Alta/RS.  Lançado na 26ª Feira de Canoas - (Ed. Alternativa/POA, 2010; 163 p.)  Sessão de autógrafos no dia 04/11/2010 na Feira do Livro de POA/RS
Capa: Arte sobre obra de Vinício Cassiano
Apresentação: Antônio José Giacomazzi
SINOPSE: O romance Clube dos Combalidos ambienta-se em lugar incerto do Rio Grande do Sul. O enredo principal desenrola-se em torno de uma mesa de bar onde um grupo de quinze amigos se reúne com frequência não determinada para compartilhar suas vivências, ideias e impressões.  Paralelo ao ambiente e enredo principal, desencadeiam-se histórias de alguns personagens em particular, cujo conjunto situa o desenrolar dos episódios na linha do tempo histórico.
Através da narrativa intercalada com diálogos e discussões entre os personagens, a trama vai descortinando pontos de vista, fatos verossímeis, assuntos e aspectos tão diversos quanto o cotidiano real e as possibilidades fictícias do mesmo. Não faltam toques de humor e romantismo, nem conflitos e tragédias, tampouco uma sequência linear que abarca em seu bojo, através de referências dos protagonistas, tempos e lugares externos à trama.
Os personagens apresentam mínima descrição de aspecto físico, baseando-se sua caracterização restrita às funções profissionais e papéis sociais que desempenham. Assim, desfilam no grupo: um mestre de obras, um porteiro de edifício residencial, um mecânico aposentado, um policial, um padre, uma professora, um bancário, uma psicóloga, um estudante de agronomia, uma livreira, um jornalista, uma atendente de SAC, um caminhoneiro e um advogado; alguns com referências familiares.
A linha-mestra que encadeia a história é a luta travada por cada um para manter-se vivo frente aos desafios do mundo contemporâneo e às perspectivas de futuro, cuja tônica reflete sombras e temores a partir das percepções que cada um possui do presente de sua própria vida, da política e do país.

Romance Asas Livres

Obra vencedora do Prêmio Álvaro Maia de Manaus
(Editora Muiraquitã/AM, 2010; 200 p.)

Sinopse: O enredo se baseia na trajetória de 3 moças do interior gaúcho que vão construir suas vidas em São Paulo, onde se conhecem pela mão do destino que as reúne num pensionato de freiras. A partir dali constroem uma amizade que as manterá unidas, com revezes trágicos e desencontros, onde suas histórias se cruzam em busca de amor e realização profissional. A catarse do leitor se dará com o final feliz da personagem principal, sempre esperado das histórias de amor. 
 Linguagem simples, mas polida, muitos diálogos, peripécias, perfilando psicologicamente os personagens e os fatos, dramas de amor e de vida marcam a história. Resgata pinceladas da história brasileira despertando curiosidade do leitor em pesquisar a mesma. Pode interessar tanto a jovens como adultos, leitores assíduos ou novatos.

Romance: Loucos não insanos

(Tecnicópias Gráfica Editora, 2006; 328 p.) Ver: http://www.tcarte.com.br/escritores/urnau/

Capa: obra “Concerto de Neandertal” da artista plástica Lúcia Mallmann.

SINOPSE: A história, cujo enredo se ambienta num manicômio e espaços correlatos, retrata as “loucuras do mundo” entre episódios cômicos e/ou que evocam reflexão. Desfilam temas como Ecologia, Eutanásia, Violência Urbana, Educação e outros entrelaçando personagens e assuntos. Reflete fatos, idéias e impressões do cotidiano em que um louco nem sempre o é, e tudo o que é diferente, estranho e incompreensível assume ares de desajuste psíquico e social. Assim se inter-relaciona a sociedade entre normais e “inadequados”.
O romance é próprio para leitores críticos, podendo ser objeto de discussão e fomento de pesquisa em várias áreas de estudos universitários e Ensino Médio.
Embora o enredo tenha um desfecho neste livro, a autora pretende lançar em 2011 o Volume 2, “Loucos... e Loucos!” dando continuidade à história, com alguns novos personagens, temas e peripécias.

Opúsculo: IN QUIETUDE

Gênero: vários – haicai, minicontos, poemetos, diversos.
Apresentação: Neida Rocha
A obra In quietude, possui ilustração de capa da própria autora. Lançamento na 25ª Feira do Livro de Canoas/RS e Sessão de Autógrafos na 55ª Feira do Livro de Porto Alegre/RS.
SINOPSE: Trata-se de um opúsculo com haicais, microcontos, poemetos e diversos (25 frases de reflexão e uma crônica sobre as experiências de leituras da autora. Nele a autora ensina sobre o haicai usando algumas regras do mesmo, podendo ser aproveitado didaticamente.
Este livro se define como sendo “chocolate com pimenta”, apostando em sátira e singeleza, mesclando emoção e indignação, que evocam a deturpação da inocência infantil, a inversão de valores da sociedade contemporânea e outros temas.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Reflexão

A pessoa que se vende sempre recebe mais do que vale. Mais cedo ou mais tarde, não passará de troco... e, de graça terá que se dar em troca da dívida adquirida por ter se vendido por um preço que jamais valeu.
Nélsinês. In quietudes. Ed. Alternativa: POA, 2009.

Esta é uma reflexão especialmente para esta época de campanhas políticas. O que esperar de um povo que negocia o voto em troca de promessas para si ou para este ou aquele segmento? Os candidatos que não têm como preocupação o todo do estado ou país, não deveriam se lançar a cargos da governança pública. Pois todos os setores de uma sociedade se interligam e ele não pode ser sectário defendendo interesses de grupos se os mesmos não favorecerem o conjunto inteiro onde se inserem.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Concurso Mágica Especial

 Conforme prometido, a inscrição no Concurso Mágica Especial terá seu prazo de inscrição prorrogado até 20 de outubro de 2010, com resultado a ser anunciado em 15 de novembro.
Ver detalhes em: http://www.tcarte.com.br/ http://www.tcarte.com.br/magica/index.html  
Acesse e participe.
Dúvidas: comente aqui. Podem ser úteis a todos.

Aniversário da Casa do Poeta de Canoas

Dia 19 de setembro é o dia do Poeta Canoense.
Neste dia de 2010 a Casa do Poeta completa 8 aninhos.

O Sarau comemorativo será realizado no Conjunto Comercial Canoas, às 19h.

Participe! Prestigie!

III Concurso FECI - mais premiados canoenses

Dia 16 de setembro às 19:30h ocorreu na Fundação Educacional e Cultural Internacional Esporte Clube de Porto Alegre/RS a premiação dos agraciados no III Concurso de Poemas, Contos, Crônicas e Histórias do Inter, promovido pelo FECI em parceria com a Casa do Poeta Latinoamericano.
O associado da Casa do Poeta e da ACE, escritor Adilar Signori conquistou sua segunda medalha no certame, desta vez a de 3º lugar na categoria Crônicas. Adilar já havia conquistado medalha de Menção Honrosa em 2009 na edição II deste certame.
Eu, Nélsinês, conquistei o troféu de 1º Lugar na categoria Poemas, com "Pampa e Sonho".
Ver: http://www.internacional.com.br/pagina.php?modulo=2&setor=18&codigo=12345

Academia de Letras do Brasil/RS

Posse na Academia de Letras do Brasil A solenidade ocorreu no dia 10 de agosto no Memorial RS em Porto Alegre.
Na foto: Clara; Maria Rigo - Presidente da Casa do Poeta de Canoas; Joaquim Moncks - Coordenador da POEBRAS; Mário Carabajal - Presidente da ALB, Nélsinês - empossada na cadeira nº 02 da ALB/RS - Canoas (Patrono: João Palma da Silva); Mari Regina - Coordenadora da Biblioteca Cecília Meireles - AMORJI II; e Neida Rocha - empossada na cadeira nº 01 da ALB/RS - Canoas. Também se fizeram presentes outros associados da Casa do Poeta de Canoas e da ACE, além de representantes de diversas entidades literárias do RS e diretoria da ALB/Seccional RS, prestigiando o evento e a diplomação das imortais canoenses e demais imortais gaúchos.

Corajosos alertam

O estado pode e deve ser Laico, mas a Igreja pode e deve manifestar sua posição dentro de sua seara, que é a de orientar os fiéis sobre o que fere os princípios da doutrina cristã. Os Bispos, Padres e Pastores que se manifestaram e assumiram corajosamente sua posição contrária às perspectivas que se apresentam para o futuro numa eventual continuidade do PT no governo, não agiram diferente dos padres e pastores que sobem nos palanques desse partido para apoiá-lo. Esta é minha opinião. Nélsinês

Segunda-feira, 30 de agosto de 2010, 13h34

Candidatos abortistas não devem receber votos, indica Comissão

Leonardo Meira
Da Redação

A Presidência e a Comissão Representativa dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB (Estado de São Paulo) emitiram nota em que "acolhem e recomendam a ampla difusão do Apelo a todos os Brasileiros e Brasileiras, elaborado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1". "Recomendamos encarecidamente a todos os cidadãos e cidadãs brasileiros e brasileiras [...] que, nas próximas eleições, deem seu voto  somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários à descriminalização do aborto", indica o Apelo.
Acesse os documentos
.: Apelo a todos os Brasileiros e Brasileiras

.: Votar Bem
.: Contextualização da defesa da vida no Brasil: como foi planejada a introdução da cultura da morte no país
O documento foi elaborado durante o 2º Encontro das Comissões Diocesanas em Defesa da Vida (CDDV's) do Regional - que aconteceu em 3 de julho - e leva em conta o cenário sócio-político e, especialmente, eleitoral brasileiro.
A nota do episcopado paulistano surgiu após a última reunião ordinária do Regional e foi divulgada na última sexta-feira, 27, no website do organismo. Os bispos também recordaram as "orientações e critérios claros" disponibilizados na cartilha Votar Bem.
As Comissões em Defesa da Vida das Dioceses de Guarulhos e Taubaté também oferecem um documento que faz retrospecto sobre as estratégias para implementar a cultura de morte no Brasill. O material chama-se Contextualização da defesa da vida no Brasil: como foi planejada a introdução da cultura da morte no país.
Leia mais        .: CNBB fala sobre eleições e aborto
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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Nota de pesar

Com imenso pesar que acompanhamos hoje o falecimento do grande artista da palavra, das artes plásticas e do coral, Antônio José Giacomazzi. Perda incalculável para a cultura canoense! Perda ainda maior no espaço vazio que ficou nos corações de seus amigos! A ele, meu singelo poema:
POEMA AO AMIGO

Agora ali descansas
para sempre, calado.
Aos que te amavam,
só o silêncio da saudade...
a terra acolherá teu brado.

É triste abandonar-te sozinho
nesta cova funda, escura e fria assim.
É triste deixar-te e sem ti,
voltar a percorrer o mesmo caminho.

Mas, nos parece que continuas vivo...
com tua lembrança apenas
não nos consolamos.
Então, para nos iludirmos,
que teu corpo, ainda és tu inteiro,
sobre a cova, para ti,
um jardim colocamos.

É difícil, amigo, compreendas,
somos feitos de matéria,
e dela nos alimentamos...
Como poderemos resignar-nos,
à saudade de teu ser inteiro?
Como não chorar a falta
de teu rosto, sorriso e palavras,
com os quais nos acostumamos?

Partiste sem ensinar
como tua ausência não sofrer.
Se no céu te chamavam
para os anjos entreter...
                                                                Ah, eles podiam esperar!
Nélsinês

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

APRESENTAÇÃO do opúsculo In quietude

Segundo Wikipédia, a enciclopédia livre da Internet, Haikai (俳句, Haiku ou Haicai) é uma forma poética de origem japonesa, composta de 17 sílabas, divididas em três versos de 5, 7 e 5 sílabas.
Seu mote é a natureza e refere-se a um evento em particular.
Sua característica é o tempo presente, sendo valorizadas a concisão e a objetividade.
O principal haicaísta foi Matsuô Bashô (1644-16940 que se dedicou a fazer desse tipo de poesia uma prática espiritual.
O haicai chegou ao Brasil no início do século XX e algumas regras são fiéis a sua origem, enquanto outras podem ser ignoradas, dependendo do poeta ou da escola seguida.
Nelsi apresenta, através de seus Haicais e de forma singular e lúdica, a história dessa forma poética.
Quanto aos Poemetos, Nelsi permitiu-se brincar com as figuras de linguagem e os mesmos poderão ser utilizados didaticamente.
A sensibilidade de poetisa e de ser humano, faz de Nelsi um ser transcendente que ultrapassa os limites do gênero, fazendo-a expor sua alma, com questionamentos profundos, permeados de protestos e senso de cidadania.
A micropoesia apresentada no livro “In Quietude” perpassa pelo Haicai e os Poemetos, seguidos de DI (versos), abraçando os Microcontos, para em poucas palavras apresentar grandes idéias e permitir que a imaginação do leitor ultrapasse os limites das linhas.
  Neida Rocha

BRASIL, CHORO POR TI

Brasil, choro por ti, Pátria amada,
de dores mil.
És tu, meu povo, rico ou pobre
e sem temor...
servil.
Festejas cada ano novo
independência não tiveste
jamais!
Celebras apenas anseios, pois,
nunca foste
forte e livre
de alheio ardil.
Brasil amado, tu és sugado
por interesses estrangeiros
e até de brasileiros,
de cunho vil.
Te querem rico e grande
produzindo riquezas muitas,
para opressor sutil.
Mas querem, também,
que sejas pequeno e fraco,
sem poder proclamar-te
dono do teu pedaço de céu de anil.

Brasil, choro por ti, amada terra,
que insana guerra
corrompe sem cessar
sepulta o patriotismo,
que tantos heroísmos,
já fez desabrochar.
Vozes ainda ecoam,
com lamentos e gemidos
silenciam canções
de esperança no amanhã.
“Liberdade! ainda que tardia.”
Vem, de há muito
esta luta inglória,
minando as forças,
neste afã.
“Independência ou morte!”
Triste sina, triste sorte:
querem nos render agora
a adeptos da revolução.
E o povo, desiludido,
mal-informado, persuadido,
não levanta a voz para bradar:
Chega!  Basta!
de ímpios acordos
astutas farsas
grilhões que ameaçam
nossa soberania
subjugam nossa cidadania
a ideologias de pérfidos desvaríos.

Povo meu, cidadão brasileiro,
desperta!
Vê que destroem tua mãe gentil.
Mesquinhas falanges
de orgulho senil
roubam-te o sangue
qual vampiros loucos.
E logo, aos poucos
à garganta te colocarão
uma coleira e te levarão
pra dormir
num estranho canil.
Povo meu, filho deste chão,
acorda!
Se amas a terra em que nasceste
recobra a consciência!
Descobre o véu  da inocência
despe-te da ignorância
e ergue os olhos ao céu.
O Cruzeiro do Sul te abençoa
e te acena a gritar
como o índio Sepé:
“Alto lá, esta terra tem dono!
não me venham com má-fé!”
Com certeza Chico Mendes
também te convoca a resistir
e junto aos demais a construir
a  muralha da  resistência:
a  nossa  clara consciência
e a fé no porvir.
Busca a nova aurora de tua vida
de tua Pátria, solo sagrado
enfim, livre de pensamento
terra de paz  e de fartura.
Ama com ternura
faz tua parte
por nosso pobre e triste
gigante Brasil!
                           Nélsinês

(Publicado na II Coletânea da Casa do Poeta de Canoas)

PáTRIA ... MINHA ... INSôNIA

“No meio da noite me pergunto:

o que será do meu país?”
Desmoronaram muralhas
quebraram-se as grades e se abriram
os cadeados das correntes...
A liberdade proclamada
soa hoje tão sinistra...
Ninguém, a não ser o dinheiro,
é dono do poder.
Todos opinam sobre tudo
e ninguém dá ouvidos a nada...
Muitos direitos todos têm
na lei mais democrática...
mas, para tê-los respeitados
não se têm a quem recorrer.
Pois, quem  proclama direitos
não cumpre o seu dever.
A bandeira no mastro sobe lenta
e tristemente...
abandonada pelo olhar de quem
canta o hino tropeçando,
sem conhecer o sentido
das palavras... da palavra... Pátria!
Hoje, muito menos amada
muito mais ultrajada
pelos próprios filhos seus!
Já não é o Brasil risonho
já não tem seu céu azul límpido
(está vermelho... que tristeza!)
e o presente
nada espelha de grandeza!
Oh! Pátria... amada... idolatrada...
cuja história, tantas vezes,
com sangue foi escrita! ...
por heróis  agora desnudados
e transformados em vilões...
trocados por outros
que não fazem derramar sangue, mas...
 sugam-no, gota após gota, dia após dia...
imunes, impunes da culpa sem escrúpulos!
Oh!  Pátria... querida... ferida...
que dizer a teus filhos sobre o amanhã?
“No meio da noite me pergunto:
o que será do meu país?”
                               Nélsinês
(Entre aspas cito Pablo Neruda)

(Publicado na II Coletânea da Casa do poeta de Canoas)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Acontecendo por aí...

- Nos dias 12 a 14, a EMEF Rondônia, realizou sua 6ª Feira do Livro, prestigiando a Literatura Canoense. Parabéns à Equipe Diretiva, Professores, alunos e GCA (que se fez presente através de Henrique e Clara)! Parabéns ao Patrono da Feira, escritor Mário Amaral!


-No sábado, 14 a Casa do Poeta realizou almoço de confraternização entre associados e amigos, com sarau poético-musical no restaurante Italianíssimo.


- No dia 10, Neida Rocha e eu, tomamos posse nas cadeiras 01 e 02 da Academia de Letras do Brasil, Seccional RS/Canoas. A solenidade realizou-se no Memorial RS/POA, às 19 h.


- Dia 19 a Revista Símbolo homenageou com entrega de Certificado Destaque Cultural a mais alguns canoenses no bar Le Bateau. Parabéns por esta iniciativa de reconhecimento e gratificação dos valores locais! Parabéns a Maria Luci Cardoso Leite pela excelente Coluna na revista.


- O escritor canoense Adilar Signori, tem arrematado mais premiações literárias pelo Brasil. Parabéns, Adilar! Meus votos de mais sucesso! E está concorrendo ao Prêmio Talentos da Maturidade promovido pelo Banco Real. Acesse, vote e comente sobre seus trabalhos no link...

ABORTO É PENA DE MORTE APLICADA A INOCENTES

Não só na época de Natal, convém repensarmos o sentido desta festa que, com certeza, não está nos enfeites que o comércio ostenta desde que se encerram os festejos do Dia da Criança. Por isto, convido você a voltar à Páscoa, onde se festeja o re-nascimento, mais precisamente, ao lema da Campanha da Fraternidade de 2008: “Escolhe, pois, a vida!” (Dt 30,19).
Será que este assunto já se encerrou? Morreu na sexta-feira da Paixão? Talvez, sim, tenha morrido em alguma “Paixão” muito anterior. Pois, a modernidade quer negar natal a inúmeros inocentes. À falta dos presentes e da ceia, se sobrevive. À crueldade do aborto, não. É o natal que se nega ao mais indefeso, mesmo as ciências tendo já provado tratar-se de um SER HUMANO inteiro, vivo! Muito pior é, por este ser um ato definitivo, sem chance de reversão.
Num mundo que rejeita nos tribunais a pena de morte aos criminosos, é inaceitável que se admita a mesma praticada sobre uma mesa cirúrgica e contra um ser inocente e inofensivo. Aborto é, entre os crimes hediondos, o mais abominável. Porque ocorre no silêncio da sociedade anestesiada pelas ideologias que pregam “meus direitos a qualquer custo”, porque a vítima desse crime é incapaz de fazer ouvir seu grito pedindo clemência. Que Direitos são esses de permitir a negação da vida a um inocente em prol de outro, irresponsável?
A Declaração Universal dos Direitos Humanos deixa claro: “Todos têm direito à vida desde o seu mais incipiente estado...” A Constituição Brasileira, Artigo 5º, salienta que “é inviolável o direito à vida”. Portanto, a mulher tem direito ao seu corpo desde que não prejudique o feto, mesmo que o abrigue em si, pois, desde a concepção este já se constitui em outro ser humano. Ainda que não houvesse outros métodos contraceptivos e larga informação sobre os mesmos, os atos irresponsáveis deveriam ser compensados com o arcar das conseqüências. Mas, estes outros métodos existem em profusão, e o erro de uns não se desfaz matando um ser inocente. Pelo contrário, acaba sendo cometido outro pior.
Miséria, traumas, nada justifica a descriminalização do aborto. Nem resolve o problema da miséria em que vive grande parcela da população. Lutemos antes para combater as causas que geram tantas gestações indesejadas e/ou problemáticas. Quem sabe, se diminuirmos os apelos maciços de culto ao corpo e ao sexo como única fonte de prazer e felicidade, sobre um pouco de tempo e espaço para se resgatar a saúde física e mental, a dignidade do sexo e sentidos mais nobres para a felicidade.
Não há política social limpa derramando o sangue desses seres pulsando vida como cidadãos em formação. Não há religião (“religação”) com o Deus da vida para quem contra ela atenta em tal covarde posição de vantagem. E, mesmo entre as não-cristãs, não conheço religião ou filosofia que fundamente essa prática. Descriminalizar o aborto pode livrar mulheres e homens da cadeia, mas não de remorsos e conturbações psíquicas advindas de sua realização. Colocar o aborto como Direito Humano é institucionalizar o infanticídio.
E é incrível que em nosso país, que se diz cristão e democrático, dois deputados sejam punidos num partido que se dizia ético, por lutarem pela vida e trabalharem para desbaratar tal cultura de morte, de covardes assassinatos! Pior ainda: patrocinar a prática do aborto com dinheiro público é pretender impor tal ignomínia a todo cidadão, mesmo que seja contra seus princípios. Talvez Hitler e seus assemelhados, em sua insanidade moral aplaudissem essa idéia.
O aborto é crime igual aos que chocam a opinião pública nos noticiários: são Isabelas, não jogadas pela janela, mas na lata de lixo de uma clínica ou hospital, antes mesmo que possam chorar e implorar “Pára, pai!” ou Pára, mãe!”, “Pára, doutor!”. Quem se horroriza perante tais fatos, não pode ser favorável ao aborto em que um bebê é esquartejado, envenenado ou sugado ainda dentro do útero, que nestes casos serve como isolador acústico que impede que os gritos de estertor ecoem no ambiente ensandecido. Por que os defensores do aborto não mostram os terríveis processos de execução desse crime hediondo? Será que as mães e pais que o cometem teriam coragem de olhar para o resultado de seu ato criminoso?
Enfim, que desde já, e principalmente em "outubro", nos lembremos do Natal que breve se aproxima, festa do nascimento do Cristo gerado em forma humana. Que nosso compromisso seja possibilitar que a vida humana concebida, possa nascer, não votando em quem supõe acabar com a miséria eliminando vidas. Ou então, o que será o Natal? Com que coração e dignidade festejaremos esta data?
Nélsinês